ghost world – aprendendo a viver

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Aconteceu neste fim-de-semana a estreia mundial do mais recente blockbuster inspirado em quadrinhos, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Ainda não vi o filme, mas gosto dos filmes da saga X-Men. Esse novo parece ser excelente (que elenco! Patrick Stewart, Ian McKellen, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, James McAvoy, a gangue toda!). Mas não devo ser o único com fadiga de filmes baseados em quadrinhos.

Não sou fanboy de quadrinhos, mas também não detesto; dá pra listar vários filmes excelentes do gênero (o primeiro Iron Man; o Batman com Heath Ledger; os já citados X-Men). Mas tá demais. A impressão que tenho é que a cada dois meses tem um novo filme enorme que está em todo lugar, e quando o filme acaba (os que eu ainda animo de ver) dá aquele déjà vu: “Eu já não vi isso antes?”. Sim, eu vi, no filme anterior de super-herói.

Por isso, resolvi escrever sobre meu filme favorito baseado em quadrinhos, mas que passa longe de super-heróis, mutantes e vilões: Ghost World – Aprendendo a Viver. Filme que nem chegou a passar nos cinemas no Brasil, mas lembro claramente que todo mundo que conheço assistiu quando estreou na TV a cabo. A crítica internacional estava falando maravilhas do filme, e os elogios são completamente merecidos.

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Ghost World segue duas adolescentes recém-formadas na escola, Enid e Rebecca, prontas para entrar na “vida adulta”, mas que preferem passar o tempo falando mal de tudo e de todos que vêem. Para Enid e Rebecca, o mundo é uma coleção de perdedores, idiotas e patéticos, e as garotas destilam veneno sem dó. Claro, elas (e o filme) seriam insuportáveis se os diálogos não fossem primorosos – e o elenco também, com Thora Birch e uma então desconhecida Scarlett Johansson nos papéis principais, além de Steve Buscemi como a vítima de uma das brincadeiras cruéis de Enid – mas que acaba despertando nela sentimentos inesperados.

Ghost World é um filme cínico e sarcástico, mas também é inteligente demais para ser apenas isso. Enid e Rebecca não são tratadas como garotas “cool” do jeito que elas acham que são, e o filme trata de mostrar que cinismo por si só não leva a lugar algum (além de ser bastante cansativo). É interessante ver o filme agora, nessa era de Facebook e Twitter, com tanta gente despejando amargura em comentários anônimos ou não. Não é à toa que, quando Rebecca começa a “viver” fora da influência de Enid, ela passa a ver as coisas com olhos mais amadurecidos. Gente que faz algo da vida não tem tempo a perder desdenhando a vida dos outros.

E se Rebecca torna-se uma espécie de “voz da razão”, foi com Enid que eu me identifiquei completamente quando assisti o filme pela primeira vez. Sem papas na língua, achando-se melhor que todos em torno, cheia de talento mas desperdiçando-o. Enid é cruel, mas o filme não é tão cruel assim com ela; no fim, ainda resta uma esperança. E fica aqui a esperança de que reste esperança para mim, para você, para quem mais se identifica com Enid e se vê perdido na vida. Seja aos 20, aos 30, aos 40.

E tudo isso baseado numa história em quadrinhos!

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7 Respostas to “ghost world – aprendendo a viver”

  1. laíza Says:

    eu amo esse filme! o quadrinho é igualmente maravilhoso. tb curto hqs e adaptações, mas prefiro quando é assim, baseada numa graphic novel, do que as franquias de super herois, pq começa a cansar. vc ja assistiu persepolis? é adaptacao de hq mas em animacao, é muuuuito bom. e tem outro da marjane satrapi, frango com ameixas, que tb tem filme – mas esse nao assisti. parabens pelo texto, adorei. beijo!

  2. ricotanaoderrete Says:

    Adriano, vi Ghost World há poucos meses e o curioso é que, dias depois, comecei a ver Twin Peaks. Achei a maior coincidência por causa do bicho empalhado que Enid quase compra no garage sale. Quando vi que era um objeto do hotel de Twin Peaks, fiquei eufórica (amo poucas coisas como amo coincidências).

    Acho que isso de Enid parecer péssima só acontece por causa da identificação instantânea mesmo. Me vejo como uma versão menos caricata dela quando tinha a mesma idade. Aliás, não tenho dúvida de que sobrou um pouco. Afe, só de imaginar isso, já tô com abuso dela de novo. =P

    Olha, cairia bem um post com dicas de graphic novels mais ~cinema indie~, com persobagens meio desajustados mas totalmente vida real, sem grandes feitos ou vidas incomuns. É que eu sempre quis ler alguma coisa do tipo mas nunca me mexi muito pra achar material. Todo mundo que conheço acompanha séries tipo Sandman, que imagino ser realmente boa, mas não é o que procuro.

    Beijo e parabéns pelo post.

    • Adriano Ferreira Says:

      Obrigado pelo comentário e pelos elogios! 🙂

      Sobre a Enid, quando vi o filme pela primeira vez fiquei mais com pena dela do que com raiva. E por consequência fiquei com pena de mim mesmo – que é algo que tenho evitado fazer à medida que o tempo passa. Ficar com pena da gente mesmo não leva a lugar nenhum…

      Sobre a sua ideia de filmes baseados em graphic novels, eu não sei se conheço tantos assim para fazer um post! E vários dos melhores exemplos já foram citados nos comentários aqui: Azul é a Cor mais Quente, Persépolis, Anti-Herói Americano. Mas vou esmiuçar meu cérebro e ver se consigo juntar mais exemplos.

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