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ghost world – aprendendo a viver

maio 25, 2014

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Aconteceu neste fim-de-semana a estreia mundial do mais recente blockbuster inspirado em quadrinhos, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Ainda não vi o filme, mas gosto dos filmes da saga X-Men. Esse novo parece ser excelente (que elenco! Patrick Stewart, Ian McKellen, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, James McAvoy, a gangue toda!). Mas não devo ser o único com fadiga de filmes baseados em quadrinhos.

Não sou fanboy de quadrinhos, mas também não detesto; dá pra listar vários filmes excelentes do gênero (o primeiro Iron Man; o Batman com Heath Ledger; os já citados X-Men). Mas tá demais. A impressão que tenho é que a cada dois meses tem um novo filme enorme que está em todo lugar, e quando o filme acaba (os que eu ainda animo de ver) dá aquele déjà vu: “Eu já não vi isso antes?”. Sim, eu vi, no filme anterior de super-herói.

Por isso, resolvi escrever sobre meu filme favorito baseado em quadrinhos, mas que passa longe de super-heróis, mutantes e vilões: Ghost World – Aprendendo a Viver. Filme que nem chegou a passar nos cinemas no Brasil, mas lembro claramente que todo mundo que conheço assistiu quando estreou na TV a cabo. A crítica internacional estava falando maravilhas do filme, e os elogios são completamente merecidos.

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Ghost World segue duas adolescentes recém-formadas na escola, Enid e Rebecca, prontas para entrar na “vida adulta”, mas que preferem passar o tempo falando mal de tudo e de todos que vêem. Para Enid e Rebecca, o mundo é uma coleção de perdedores, idiotas e patéticos, e as garotas destilam veneno sem dó. Claro, elas (e o filme) seriam insuportáveis se os diálogos não fossem primorosos – e o elenco também, com Thora Birch e uma então desconhecida Scarlett Johansson nos papéis principais, além de Steve Buscemi como a vítima de uma das brincadeiras cruéis de Enid – mas que acaba despertando nela sentimentos inesperados.

Ghost World é um filme cínico e sarcástico, mas também é inteligente demais para ser apenas isso. Enid e Rebecca não são tratadas como garotas “cool” do jeito que elas acham que são, e o filme trata de mostrar que cinismo por si só não leva a lugar algum (além de ser bastante cansativo). É interessante ver o filme agora, nessa era de Facebook e Twitter, com tanta gente despejando amargura em comentários anônimos ou não. Não é à toa que, quando Rebecca começa a “viver” fora da influência de Enid, ela passa a ver as coisas com olhos mais amadurecidos. Gente que faz algo da vida não tem tempo a perder desdenhando a vida dos outros.

E se Rebecca torna-se uma espécie de “voz da razão”, foi com Enid que eu me identifiquei completamente quando assisti o filme pela primeira vez. Sem papas na língua, achando-se melhor que todos em torno, cheia de talento mas desperdiçando-o. Enid é cruel, mas o filme não é tão cruel assim com ela; no fim, ainda resta uma esperança. E fica aqui a esperança de que reste esperança para mim, para você, para quem mais se identifica com Enid e se vê perdido na vida. Seja aos 20, aos 30, aos 40.

E tudo isso baseado numa história em quadrinhos!

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