entre segredos e mentiras

imagem_cinema

Imagine a seguinte situação: um filme com Ryan Gosling e Kirsten Dunst nos papéis principais. Dirigido pelo realizador de um aclamado documentário. Baseado numa intrigante história real. Deveria ser um filme super aguardado, e lançado nos cinemas com bastante pompa, certo? Bom, às vezes as coisas não acontecem como a gente (ou melhor, Hollywood) espera – e o tal filme acabou passando praticamente despercebido.

allgoodthings

Entre Segredos e Mentiras (tradução genérica para o original All Good Things) foi desprezado por críticos e público nos EUA, e saiu direto em DVD no Brasil. Merecia sorte melhor. É intrigante e instigante. Baseado em fatos reais, conta a história de um jovem casal que se conhece no início dos anos 70. Ele, David: filho de família abastada, traumatizado por ter testemunhado o suicídio da mãe aos sete anos. Ela, Katie: presença ensolarada, leve, aparentemente tudo que David precisa para fugir da presença opressora do pai. Mas os fantasmas de David parecem ser mais fortes que o otimismo de Katie, e o destino vai ser trágico para o casal.

Mais do que isso é melhor não revelar. Assisti o filme sem saber muito da história e me surpreendi. A trama segue rumos inesperados. E se Ryan Gosling (visto aqui como nunca visto antes, por assim dizer) é o centro da trama, Kirsten Dunst é o coração. Desde o primeiro momento, a atriz ilumina a tela. Filha de Woodstock sem cair nos clichês, sua Katie é adorável. É fácil entender por que David decide, quase por impulso, pedi-la em casamento. Mas à medida em que o comportamento de David torna-se sinistro, a atuação de Kirsten aprofunda-se sem perder a naturalidade. Podemos nos perguntar: por que ela continua casada com ele, sendo que ele segue exalando sinais de perigo? Kirsten faz com que o espectador aceite esse comportamento, como se dissesse: se você estivesse no meu lugar, você entenderia.

A segunda metade do filme caminha para o bizarro, e talvez alguns espectadores até dêem risada com alguns acontecimentos. Mas quando os créditos finais apareceram na tela, explicando o desenrolar da história, me peguei pensando que às vezes a verdade é mais misteriosa do que os filmes de suspense. E isso é perturbador.

Entre Segredos e Mentiras (All Good Things), um filme de Andrew Jarecki

101 minutos \ EUA \ 2010

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4 Respostas to “entre segredos e mentiras”

  1. Brunna Says:

    Muito boa a resenha… Vai entender o que manter um filme dentro do circuito do Hollywood e o que é ignorado, né? Sem seu blog eu nem chegaria a conhecer.

    Já estou baixando pra assistir hoje mesmo e manter alimentado meu amor platônico pela Kirsten. 🙂

  2. brunna Says:

    Muito boa a resenha… Vai entender o que manter um filme dentro do circuito do Hollywood e o que é ignorado, né?

    Sem o blog eu nem chegaria a conhecer. Já estou baixando pra assistir hoje mesmo e manter alimentado meu amor platônico pela Kirsten. 🙂

    http://dobrodametade.blogspot.com

  3. Gláucia Victer Says:

    Caro Adriano, também fiquei frustrada em saber que um filme tão bom foi menosprezado. Admito que sou suspeita pra falar, pois simplesmente adoro filmes baseados em fatos reais. Depois de assistir aos filmes, sempre vou à internet garimpar dados sobre a história verdadeira e checar o que era tanto ficção quanto realidade na película. Daí, pesquisando sobre o diretor Andrew Jarecki, descobri que há 11 anos ele lançou o documentário “Na Captura dos Friedmans”, que inclusive faturou um prêmio no Festival Sundance. Como vc disse no primeiro parágrafo, “Entre Segredos de Mentiras” deveria ser bastante aguardado, mas foi recebido com frieza. O filme mostra a polícia prendendo um professor judeu por pornografia infantil que em seguida é também acusado de pedofilia, já que dava aulas em casa para crianças até 12 anos. O documentário ainda expõe a cobertura da mídia na ocasião e os possíveis exageros que ela possa ter cometido. Jornalistas não gostam de ser criticados. Some-se a isso o fato de que em 2014, ano em que o filme concorreu ao Oscar, a academia recebeu uma carta de dois rapazes que haviam sido abusados pelo filho do acusado (o filho caçula era cúmplice dos crimes do pai) pedindo que ignorassem a fita, já que o agressor, segundo eles, estava sendo tratado como celebridade. Juntando as peças, fui levada a crer que Jarecki pode ter sido posto na geladeira, por assim dizer. Não pelo filme em si, que foi elogiadíssimo, mas pelas repercussões que teve. O que vc acha?

    • Adriano Ferreira Says:

      Gláucia, “Na Captura dos Friedmans” é mesmo um filme ótimo. E provocador! Não lembro tanto assim de detalhes (só vi quando foi lançado nos cinemas), mas lembro que o filme deixa completamente no ar a culpa – ou inocência – dos acusados. E lembro que muita gente ficou mesmo revoltada com a abordagem do diretor.
      Não sabia sobre essa carta enviada para a Academia. Realmente não sei dizer se um fato assim pode colocar um diretor na geladeira – Hollywood sabe muito bem como “perdoar” pessoas, desde que elas recompensem esse perdão com $$$. Acho que o filme foi mesmo vítima de marketing ruim, entre outras coisas.
      Algo similar aconteceu com outro filme com a Kirsten Dunst, mais recente: Upside Down. Poderia ter tido um lançamento maior, é um filme romântico e com visual incrível, e tem o Jim Sturgess (que já apareceu em vários filmes grandes). Mas mal foi lançado nos EUA. A maior diferença entre os dois filmes, pra mim, é que Entre Segredos e Mentiras é um filme bem bom. Já Upside Down… hmmmm…

      Obrigado pelo seu comentário!

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