dublê de anjo

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Todo mundo que acompanha e ama cinema já se deparou com a seguinte descrição de um filme: “é belíssimo, mas não diz nada”. Fico meio cabreiro quando leio algo assim. Todo filme PRECISA mesmo dizer alguma coisa? E quando uma obra mexe com os nossos sentidos (mais especificamente a visão), faz a gente sentir um prazer enorme com o que vê, já não é algo notável?

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Quando um filme me agrada muito, costumo meio que ignorar/não reparar em possíveis falhas ou fraquezas. Mais ou menos como fazemos com pessoas que gostamos muito, amigos de verdade, que podem ter uma mania ou outra insuportável mas que nem por isso deixamos de amar loucamente. Não sei se é saudável (ou recomendável) comparar filmes a pessoas, mas até hoje não me causou problemas!

Um desses filmes “belos porém vazios” que eu amo é A Cela, de Tarsem Singh. A maior parte dos críticos detonou o filme, chamando-o de sub Seven ou Silêncio dos Inocentes de quinta. Mas quem viu nunca esqueceu as imagens poderosas que Tarsem Singh criou, como o cavalo destrinchado ou a incrível capa do psicopata. Mas A Cela é um suspense, ou até mesmo um terror, gêneros que não agradam a todos. Já o filme seguinte do diretor, Dublê de Anjo (ridícula tradução para The Fall), é um drama. Portanto deve agradar a mais pessoas. Espero que sim.

Li várias críticas dizendo novamente que o filme não diz muita coisa. Mas a opinião de quem viu, em geral, é a mesma: é maravilhoso. Arrisco a dizer que nunca vi filme igual. Tem dezenas de imagens de encher os olhos, de deixar qualquer um de boca aberta. E é mais impressionante ainda quando se descobre que os cenários e locações todos existem de verdade – nada foi criado em computador. Para isso, o diretor e sua equipe passaram anos filmando, nos quatro cantos do mundo (incluindo o Brasil).

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A história se passa na Los Angeles dos anos 20, onde um dublê de filmes de aventura (Lee Pace) se recupera em um hospital. Lá ele conhece a menina Alexandria (a fofíssima Catinca Untaru, que merecia ter ficado famosa), e passa a contar para ela uma história épica de aventura e amor, envolvendo um escravo, um bandido, um indiano e até mesmo Charles Darwin. Na imaginação da menina o dublê é o herói da história, e os acontecimentos da vida real vão influenciando o desenrolar da trama.

Dublê de Anjo lembra muito O Labirinto do Fauno – nos dois casos, temos uma menina criando um mundo de fantasia para lidar com grandes dificuldades na vida real. E o filme de Tarsem Singh merece ser conhecido por todos assim como Fauno: é divertido, é emocionante, é mágico, é praticamente tudo que um filme pode ser. E nos minutos finais se torna uma homenagem emocionante ao próprio cinema. É até difícil descrever o tanto que gostei de Dublê de Anjo.

Dublê de Anjo (The Fall), um filme de Tarsem Singh

117 minutos / EUA e Índia / 2006

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Uma resposta to “dublê de anjo”

  1. Julia Says:

    A espontaneidade da Catinca Untaru contribui muito para a naturalidade da relação entre ela e o Roy. A atriz, e todos os demais atores achavam que o Lee Pace de fato era paralítico. Se eu não me engano tem até um video no youtube que mostra essa cena !
    The Fall é um filme realmente muito bom.

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